Nesta semana presenciei uma cena que me impeliu a refletir sobre ética, cidadania e o exercício destas. O fato rendeu uma calorosa discussão, discussão esta que me fez refletir sobre a atual situação da segurança pública em nosso país e, conseqüentemente, a situação política e a respeito de como a sociedade tem se posicionado frente a esses assuntos.
Farei um breve relato do ocorrido:
Em sala, durante uma aula de História do Brasil, o professor desceu a beber água, presenciou uma cena estranha e chamou-me para testemunhar: Um policial falando em tom elevado e um garoto de treze anos chorando. O policial ameaçava dizendo que eles não deveriam estar ali, que deveriam estar em casa e, por isso, iria levá-los para a delegacia… Enfim, típica agressão psicológica comumente cometida por policiais…
Os vizinhos haviam chamado a Guarda Metropolitana, pois, há vários dias, supostamente este, e outros garotos vinham fazendo “arruaça” na rua em frente à escola.
Longe de defender arruaceiros e vândalos, mas, a seguinte pergunta repercutiu e continua a repercutir em minha mente: Até onde vai a responsabilidade e o dever da polícia? E refletindo acerca disto surgiu-me uma outra: Qual o limiar entre LIBERALIDADE e ABUSO DE AUTORIDADE?
Poderíamos dizer que o policial tomou uma atitude enérgica com os garotos e os repreendeu duramente para que eles não voltassem a cometer o “delito”, mas por outro lado o Policial representa a autoridade a ele investida, autoridade esta que a sociedade paga com seus impostos para prender homicidas, ladrões, salteadores e estupradores, socorrer a sociedade! Não ficar dando “esporro” em crianças. Da educação destas que cuidem os órgãos competentes.
-Há, mas o policial não foi chamado para conter a “arruaça”???
Sim e conteve no momento em que chegou, mas será que ele tem autoridade, ou melhor, será que ele aprendeu em seu treinamento que deve utilizar-se de artifícios tais como mentira e pressão psicológica a fim de coibir uma infração cometida por um menor? Pra que serve então a Fundação Casa ou o Conselho Tutelar? A meu ver a obrigação do policial limitar-se-ia a encaminhar o menor a um destes órgãos.
Hoje este policial mente para esta criança, amanhã, por volta dos quinze anos ela descobre que o policial não pode, simplesmente, levá-la para a delegacia. A figura da autoridade dá lugar a um mentiroso. Se a polícia deveria me proteger e eu não confio nela porque é mentirosa, em quem devo confiar então? – Ou pior ainda: Devo respeitá-la (uma vez que ela não me respeita)?
Se o policial, a fim de fazer valer sua autoridade, ao ser chamado de mentiroso, toma uma atitude drástica e realmente, leva o garoto para dar “um passeio de viatura” (só pra dar um susto) então, de simples mentiroso, passa a criminoso e VOLTAMOS A DITADURA MILITAR onde a polícia tem “plenos poderes” e pode fazer o que quiser com quem quiser.
Rasguemos nossa Constituição, CLT, Código Civil… Façamos tudo o que nos mandam sem questionar, sem tomar ciência dos nossos direitos e deveres, sem nos revoltar contra as injustiças cometidas pelos “poderosos”. Enfim, entreguemos nossas almas e sejamos escravos… Do patrão, da polícia, da violência, da pobreza…
Pobres espíritos livres que ousam pensar! Talvez fosse melhor não ter esta capacidade…
NÃO!!!
As coisas devem ser colocadas em seu devido lugar! Mas qual é esse lugar?
Sou cidadão porque exerço cidadania e porque existe uma cidadania a ser exercida!
Tenho trabalho porque sou competente no que faço e é melhor para o patrão que seja assim!
Temos uma polícia porque pagamos nossos impostos, pagamos seus salários!
Nenhum ESTADO é soberano a sua NAÇÃO e nação é POVO!
Nós somos o povo. E apenas UNIDOS SOMOS NAÇÃO!
Qual é o seu papel na sociedade?
O que é ser ético em nossa sociedade? Isto é “certo”?
Como você se posiciona frente aos abusos com os quais você se depara?
O que acontece lá fora, realmente, não me diz respeito?
REFLITAMOS JUNTOS…
16 16UTC dezembro 16UTC 2010 às 23:01 |
[...] outro post já falei um pouco a respeito do abuso de autoridade, mas desta vez podemos vislumbrar este MAL [...]